O impacto monstruoso das pequenas decisões de design

Você já deve ter passado por isso.

UX Designer e Visual Designer sentados lado a lado, olhando para a tela do Photoshop, dando os toques finais nas telas do produto que estão desenhando.

“Precisamos simplificar ao máximo, limpar a tela, deixar mais clean” — diz um dos stakeholders.

E nesse exercício de simplificar ao máximo, vocês chegam em soluções como essa abaixo: o que antes era um menu em abas passa a ser um dropdown que revela as opções no clique.

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Uma mudança simples e “eficaz” aos olhos de um leigo. De fato, o header na tela da direita parece muito mais simples do que na tela da esquerda.

A redução do número de elementos visuais deixa a tela mais leve, e o olho do usuário consegue focar no conteúdo da página ao invés de “perder tempo” no header.

Mas sabe qual foi o impacto dessa mudança?

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Apesar do novo menu parecer muito mais “clean”, o impacto da mudança foi bem maior do que o esperado. A grande maioria das pessoas simplesmente deixaram de usar os filtros e de navegar entre as seções principais do aplicativo.

Um papo sobre responsabilidades

O exemplo é só um pretexto para falar de algo maior: a responsabilidade (ou irresponsabilidade) de designers que fazem mudanças visuais no aplicativo sem considerar as reais consequências delas.

É claro que não é possível prever com precisão qual o impacto de pequenas mudanças visuais como essa no comportamento dos usuários. Mas depois de alguns anos de profissão e de participar de projetos que tiveram efeitos similares, o designer acaba conseguindo “antecipar” algumas dessas reações em cadeia. Se eu mexer esse elemento 20px para o lado, qual o efeito imediato que isso pode causar?

Aliás, o mais complicado é quando esse tipo de discussão nem passa pela cabeça dos designers. Na obsessão por simplificar e retirar elementos da tela, eles acabam desconsiderando o quanto essa simplificação pode representar em redução de engajamento, tempo de navegação, clareza, etc.

No exemplo abaixo: depois de testar o “menu hamburguer” como solução de navegação em seu app, o Facebook percebeu que expondo os ícones no rodapé da tela aumentava o nível de engajamento dos usuários, o nível de satisfação, a receita/lucro e a percepção de velocidade da experiência. Uma simples mudança no padrão de navegação mudava o caminho que os usuários percorriam no app.

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Será que o menu hamburguer não reduz o engajamento do seu app?

Toda ação tem uma reação

Um hábito que adquiri com o tempo ao olhar para uma determinada interface e discutir com o designer sobre uma possível mudança visual é o de sempre me perguntar: como essa mudança pode impactar os números?

Na prática, é bem plausível que você consiga prever quase que instantaneamente o que pode acontecer com aquele novo tipo de menu, novo ícone, novo alinhamento, nova escolha de fontes, novo layout, novo campo de formulário etc. É claro que não é nada científico, mas na dúvida você pode sempre recorrer a um teste rápido de usabilidade ou a um teste A/B (para comparar na prática os efeitos daquela mudança).

O mais importante é que, quando você se força a fazer essa pergunta com frequência, acaba criando o hábito quase instintivo de sempre pensar na ação junto com a reação que ela causa.

Design, no fim das contas é isso: uma série de decisões que vão ter um impacto na forma como as pessoas experienciam o seu produto — para o bem ou para o mal.

Written by

Designer at Work & Co, Founder of UX Collective — http://twitter.com/fabriciot

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